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O mundo de olho no Jogo da Paz
Haiti, o país mais pobre do Continente Americano é apaixonado pelo futebol brasileiro
12/08/2004 18h09
CBFNEWS
Dorothea Bastos
O "Jogo da Paz", entre Brasil x Haiti, cujo objetivo principal é iniciar uma campanha de desarmamento naquele país, vem assumindo um caráter muito mais amplo, um grande acontecimento da política mundial, com a possibilidade do Brasil chamar a atenção do mundo ao país mais pobre do continente americano, onde a taxa de desemprego chega a 70% e o índice de analfabetismo de 47,1%, e que em fevereiro deste ano viveu uma grave crise institucional.
De acordo com o Chefe de Segurança da Seleção Brasileira, Coronel Castelo Branco, que esteve na última semana em Porto Príncipe, o país é de uma pobreza impressionante, não existe saneamento, metade da população não tem acesso à água, e a própria capital dispõe de apenas 14 horas de eletricidade diariamente, mas mesmo com tanta pobreza, todo mundo trabalha, e ninguém pede esmola. A renda per capita anual é hoje de US$ 361( menos de um dólar por dia)
Também de acordo com o Coronel, a própria população está preocupada com a segurança da Seleção, existe uma paixão enorme pelo futebol brasileiro. Ressaltou ainda o trabalho do Comandante Heleno Pereira e o General de Brigada, Américo Salvador de Oliveira, voltados para a segurança do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o jogo no Estádio Sylvio Cator, totalmente reformado para o amistoso e com capacidade para 13 mil pessoas.
Segundo cálculos da Federação Haitiana, a expectativa do povo é muito grande, com a possibilidade de ver os principais craques da Seleção, como: Ronaldo, Kaká, Roberto Carlos, Cafu e Ronaldinho.
A idéia do jogo surgiu durante um encontro, no último mês de junho, entre o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e o Presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Brasil e Haiti só se enfrentaram uma vez, no dia 21 de abril de 1974, em Brasília. A Seleção, treinada por Zagallo, goleou por 4 a 0, gols de Paulo César Lima, Rivellino, Marinho Chagas e Edu.
Haiti - Informações Gerais
Dados Gerais:

NOME OFICIAL: República do Haiti
CAPITAL: Porto Príncipe
ÁREA: 27,797 Km2
POPULAÇÃO (2001): 7,5 milhões
DENSIDADE: 302 Hab/Km²
CRESC. DEMOGRÁF.: 1,55% ao ano
LÍNGUA : francês e crioulo (oficiais)
DATA NACIONAL: 1o de janeiro
SISTEMA POLÍTICO: República com forma mista de governo
PRINCIPAIS CIDADES: Porto Príncipe, Jacmel, Gonaïves e Cap Haïtien
MOEDA:Gourde
1 US$ = 33 HTG$
RELIGIÃO: 80% - católicos e 18% protestantes
ANALFABETISMO: 51%
Geografia e População:
O Haiti ocupa o oeste da ilha de Hispaniola (a República Dominicana situa-se na porção oriental da ilha), no mar do Caribe. Seu relevo é montanhoso e a agricultura é a base da economia. É a nação mais pobre do continente americano e apresenta uma das mais elevadas densidades populacionais do mundo.
O Haiti apresenta duas planícies montanhosas, que fecham o Golfo de Gonaives, separadas por vales e outras planícies. A região sul é montanhosa, e lá está localizado o ponto mais alto do país, o Pico La Selle. O rio mais importante de todo o território haitiano é o Artibonite, que se origina na península do norte. Seu clima é tropical, caracterizado pela pouca variação de temperatura nas estações do ano. A temperatura média anual gira em torno de 27ºC e chuvas caem em maior quantidade nas zonas montanhosas.
O país tem cerca de 7,5 milhões de habitantes, incluindo 95% de raça negra, descendentes de escravos africanos e 5% de mulatos e brancos.
Sistema Político:
O Haiti é dividido administrativamente em 9 departamentos: Artibonite, Centre, Grand´Anse, Nord, Nord-Est, Nord-Ouest, Ouest, Sud, Sud-Est.
Poder Executivo:
O presidente do Haiti é eleito, pelo voto direto, para um mandato de 5 anos. O Primeiro-Ministro é indicado pelo Presidente e deve ser ratificado pelo Congresso.
Economia:
-PIB : US$ 10,6 bilhões (2002)
-PIB per capita: US$ 1.400 (2002)
-Dívida externa: US$ 1.2 bilhão
-Inflação : 11,2%
-Desemprego : n.d.
-Exportações : US$ 186 milhões
-Importações : US$ 1,2 bilhão
-Composição setorial do Produto Interno Bruto: Agricultura (31,2%), indústria (7,3%), comércio (13,5%), construção e obras públicas (10,5%).
-Pauta de exportação: Prod. Agrícola (9%), Manufaturas leves (81,6%), outros (9,4%).
-Pauta de importação : Produtos alimentícios (28,3%), Bens manufaturados (21,8%), Combustível e Lubrificantes (10,6%), Matérias primas (2,4%), outros (36,9%).
-Principais parceiros comerciais: EUA, Japão, França, Canadá, ,Itália, Bélgica.
-Exportações brasileiras em US$ 1.000 (2000) : 17.262,239
-Importações brasileiras em US$ 1.000 (2000) : 46,262
Relações bilaterais:
As relações Brasil-Haiti têm sido historicamente corretas, mas modestas. Há muitas áreas de cooperação possível entre o Brasil e aquele país, entre as quais se destacam: atividades agropecuárias, formação de sindicatos, mineração, educação à distância, metalurgia, processamento de frutas tropicais, embalagem de alimentos, criação de micro-empresas, indústria de bens de consumo, produção de artigos artesanais, irrigação, hotelaria, turismo e sistemas de transporte coletivo.
A cooperação para o desenvolvimento poderá vir a ser a pedra de toque da atuação brasileira no Haiti. A partir de 1996, o Instituto Rio Branco incluiu o Haiti entre os países beneficiários de bolsas de estudos para o curso de preparação à carreira de Diplomata. O gesto brasileiro foi objeto de reconhecimento por parte do Governo haitiano.
"Saiba mais sobre o Haiti e entenda a crise que atinge o país"
Extraído da Folha Online.
A insatisfação com o ex-presidente haitiano, Jean-Bertrand Aristide, aumentou desde que seu partido fraudou as eleições legislativas de 2000, levando vários estrangeiros a suspenderem milhões de dólares em doações.Manifestações contra a corrupção e contra a má administração de Aristide tomaram conta do país, mas a revolta contra seu governo só atingiu o ápice no começo deste ano uma rebelião eclodiu na cidade de Goinaves, no dia 5 de fevereiro, e se espalhou pelo norte do país. Os distúrbios no Haiti causaram mais de 80 mortes.
A ação dos rebeldes ganhou força e a comunidade internacional passou a exigir a renúncia de Aristide o primeiro presidente eleito democraticamente no Haiti em 200 anos, mas ele relutou em deixar o poder em que completaria o seu segundo mandato, que acabaria em 2006. Os sinais da crise política e social haitiana ficaram mais fortes no dia 28 de fevereiro, com moradores saqueando depósitos, forças governistas atacando moradores e rebeldes aumentando o cerco à capital. No dia seguinte Aristide saiu do país.
Com uma população de 7,5 milhões de pessoas, o Haiti é o país mais pobre das Américas. A expectativa de vida no país é de apenas 51 anos, enquanto a taxa de desemprego está em cerca de 70%.
Forças Armadas: foram dissolvidas no final de 1994, mas ainda constam da Constituição. A manutenção da ordem é assegurada pela Polícia Nacional.
Leia, a seguir, informações sobre a história do Haiti:
História:
Sob domínio espanhol até 1697, e logo depois francês, o Haiti se tornou independente em 1804, depois de uma derrota da equipe expedicionária de Napoleão Bonaparte (1769-1821). Entre 1915 e 1934, o país vive a ocupação militar norte-americana, que foi então combatida por uma guerrilha camponesa dirigida por Charlemagne Peralte (1886-1919). De 1957 a 1986: ditadura dos Duvalier François "Papa Doc" Duvalier (1958-71) e seu filho Jean-Claude "Baby Doc" Duvalier (1971-86). Em dezembro de 1991, um golpe de Estado derruba o presidente Jean Bertrand Aristide, eleito democraticamente em dezembro de 1990. Estando no exílio, volta a comandar o Haiti em 1994 após a intervenção de 20 mil militares norte-americanos. Seu sucessor, René Preval, foi eleito em dezembro de 1995 e deixou o cargo em fevereiro de 2001.

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