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1 . Resenha do livro: ELIAS, Norbert & DUNNING, Eric. A Busca da Excitação- Capítulo 3 – A Gênese do Desporto: Um Problema Sociológico . Difel, Lisboa, 1992. (texto abaixo em verde) 2. Aula Expositiva do Prof Flávio de Campos (texto abaixo em azul) 3. Seminário de Alexandre Leonarde (texto abaixo em vermelho) RESENHA: - o futebol originado pela association football (soccer ), propagou-se e popularizou-se mundo afora. Originado na Inglaterra, nasceu conjuntamente com outras práticas como luta, boxe, tênis, caça, críquete, todas de raiz medieval. Na Espanha, futbol, na Alemanha, fussball. Na Holanda, voltbal. Em Portugal, futebol. Nos EUA, football (diferenciando sua prática). - O grande desenvolvimento do futebol moderno se dá na Revolução industrial, mas com mais organização do que o período medieval. -Não podemos dizer que nos primórdios, com violência em sua prática, foi caracterizada a não-civilidade do futebol. É importante levar em conta que o sentido de violência, de luta, de regras depende do período que se observa, e da aceitação da sociedade local. -Competições na Grécia Antiga, como o Pugilato, também eram violentas. Em Olímpia, elites praticavam o mesmo, que era aceito na sociedade sem preocupação. -O nível variável de civilização nas competições de jogos mantém-se incompreensível se não for relacionado, pelo menos, com o nível geral de violência e com a correspondente formação da consciência em causa.
AULA EXPOSITIVA mito fundador: marco do nascimento do futebol moderno {século 19 – Inglaterra, separação do futebol que permite o uso das mãos (rúgbi) daquele que não permite o uso das mãos (soccer ). 1823 – Willian, 16 anos, transgride a maneira que habitualmente se jogava rúgbi. (até então, recebe a bola com as mãos e chuta-a com os pés). Ele recebe a bola com as mãos, atravessa o campo carregando-a, e isto faz com que em 1841 esta jogada seja permitida. A idéia de regramento do esporte começa a nascer. No século 19, várias escolas públicas jogam com bola, dividindo em 2 grupos de jogos: com as mãos ou com os pés (rúgbi/dribling game). Aos poucos, nas escolas, surgem as suas regras próprias. Em 1846 – Muitas escolas criam um conjunto de regras (14 regras de Cambridge) para normatização. (O paradoxo é que o homem abdcia das mãos – ao qual ele tem mais destreza, para utilizar os pés, transformando a habilidade em dificuldade, e na dificuldade procurando encontrar o desafio, e assim buscar o prazer). Em 1863 é tentada uma reunião para unificação de todos os praticantes dos diversos modos de football. Em 28 de outubro, nasce assim a Football Association, devido ao insucesso de unificação. A FA é composta de clubes praticantes, associações, escolas, e regram assim o jogo. Descontentes, em 1871, surge a Rugbi Football Union. Com a criação da FA há uma explosão da prática de futebol na Inglaterra, e de lá aceitação mundo afora. Até o final do século 19, o futebol é irradiado para todos os continentes. A impressão é de que a fórmula do futebol, como a conhecemos, foi descoberta, e não inventada. Talvez o futebol como é hoje teria levado questão de tempo a ser descoberto. Relações entre o Hurling e as instituições de ensino---- o Hurling não tinha tempo definido (4, 5 horas), nem espaço, era ilícito, num ritual violento, envolvendo sempre duas facções rivais, passa a ser confinado em escolas (a fim de ser melhor controlado). Não só os jogos de bola, mas também o carteado, os dados, etc, são práticas lúdicas extremamente difundidas neste período. Então, entre Hurling nas escolas, processa o mesmo, e sai de lá como Football. Jogo para criança e a relação de Willian---- Até 1850, a criança é a miniatura do adulto; após 1850, a criança é um adulto em formação. Numa consideração racionalista, a criança é a incapacidade do adulto. Porém, para os evolucionistas, iluministas e românticos, existe uma valorização da criança, pois ela expressaria, na ingenuidade, um conjunto de valores da própria origem do povo local. Na virada dos séculos 19/20, os jogos para crianças deixam de ter a finalidade apenas de recreação, e passam a ter fins educativos. Os jogos, ainda, passam a ser fundamentais na formação: coragem, disciplina, caráter, e outros valores são observados. Esta explanação sobre a educação deve ser encarada em relação ao mito fundador, relembrando Willian, que vai estudar em Oxford (onde se forma teólogo), e lá convive com muitas práticas lúdicas que em conjunto (educação corporal) são trabalhadas com educação para a formação da pessoa. Na verdade, a ingenuidade de Willian mostrou o gesto destemido, desregrado, resgatando no rúgbi um lance de hurling, e contraditoriamente instituindo a regratização, ao mesmo passo que pratica uma atitude de desregramento (Uma regra nova, criada ao passo do descumprimento de outra). 1845-1862 – período de regulamentação local dos jogos de football. (cunho regional). Em 1863 – tentativa nacional de regulamentação. Em 1885 – profissionalização do futebol na Inglaterra. Em 1888 – formação da Liga Inglesa (com campeonatos de pontos corridos- até hoje). Liga Inglesa convive com a Copa da Liga, Premiere League, Copa da Rainha. Início do século 20 – 1 milhão de praticantes. Na Inglaterra, o operário era convidado para jogar na equipe profissional, mas num amadorismo marrom. Ao invés de trabalhar na fábrica, iria jogar futebol e o salário de operário era “transferido” para o esporte. Surgem até mesmo desvios de verbas das empresas para financiar suas equipes de futebol. Normalmente, em cada cidade inglesa existiam 2 grandes clubes (provavelmente, criadas por herança do Hurling, devido a disputa entre as facções) – Originam os derbys locais. Diante deste profisisonalismo, casos interessantes surgiam. O Corinthians inglês preferia a manutenção do amadorismo, promovendo o futebol em diversas localidades mundo afora (Índia, Paquistão, Tailândia), tendo-o como esporte de uma classe eletista de clubes. Já o Manchester United, originário da classe operária ferroviária, cria rivalidade com a outra facção do município , o Manchester City, e profissionalizando, ganha dividendos com o futebol. Futebol na capital paulista – clubes da elite. Futebol no interior paulista – clubes originários, na grande maioria, de operários de companhias ferroviárias (que tinham origem inglesa), e que desbravavam o Estado de SP. Garrincha, por exemplo, jogava em uma indústria têxtil inglesa, e permanecia empregado, apesar de suas faltas e incorreções, devido ao excelente futebol praticado. Garrincha, por exemplo, jogava em uma indústria têxtil inglesa, e permanecia empregado, apesar de suas faltas e incorreções, devido ao excelente futebol praticado. No Brasil, antes de Charles Miller, temos o registro da prática do futebol em 1970 por marinheiros ingleses na praia do Botafogo. A grande questão é: por que o futebol se desenvolveu tanto mundo afora? Por que, em especial, no Brasil ele se adapta tão bem? Segundo Roberto Damatta, o Brasil é um lugar onde o futebol conseguiu ser instrumento de sociabilização, um primeiro espaço de democracia e igualdade . Diferente dos jogos lúdicos do século 19, o futebol permite a aplicação da justiça (crença no cumprimento das regras), mesmo ferramental (equipamentos), mesmo número de jogadores, com uma mesma condição de jogo (0 X 0). No Brasil, o futebol pode ser afirmado como um mito de rito e festa. Na década de 20, há um crescimento no futebol feminino (por que permitir a prática do futebol entre mulheres, mostrando a perna e em esporte tão viril?). Devido a Primeira Grande Guerra, o feminismo ganha força, além de que as mulheres deveriam tocar a produção das empresas, já que os homens íam para o front. A Guerra masculiniza as mulheres. Esporte X Jogo - O esporte, enfim, possui uma matematização do transcurso lúdico (placar, cronometragem, medições, periodicidade), enquanto que o jogo é descompromissado. Esporte X Jogo - O esporte, enfim, possui uma matematização do transcurso lúdico (placar, cronometragem, medições, periodicidade), enquanto que o jogo é descompromissado. Para Norbert Elias, esporte é uma disputa de no mínimo duas partes, com regras que regulamentam a vigilância, a violência e a força física. SEMINÁRIO: O PROBLEMA: A gênese do desporto e a sociedade vitoriana “Neste, como em muitos outros casos, é mais fácil encontrar soluções se soubermos com clareza qual é o problema”. Elias, p193. 1. Que se pode concluir do fato de um tipo de passatempo inglês chamado desporto ter terminado, principalmente no século 19 e 20, o padrão de um movimento de lazer de dimensão mundial? 2. Passatempos desse tipo correspondem a necessidades específicas de lazer que se fazem sentir durante esse período em vários países. Por que razão emergiram primeiro na Inglaterra? 3. No desenvolvimento e na estrutura da sociedade inglesa, que condições justificam o progresso aí verificado nas atividades de lazer com as características específicas que designamos por desporto? HIPÓTESES Primeira Hipótese- A gênese do desporto e sua relação com a Revolução Industrial Pode-se sugerir que qualquer alteração nas atividades de lazer e nos jogos ocorridos nos últimos duzentos anos deve ter sido o efeito do qual a indústria foi a causa. a) Nessa hipótese o esporte moderno é resultado de um processo de esportivização de jogos antigos; b) Portanto o esporte a partir da Revolução Industrial assumiu suas características básicas atreladas as necessidades do capitalismo: competição, a busca do gol, rendimento físico-técnico, busca do recorde, racionalização, cientificação do treinamento, secularização, igualdade de chances, especificação dos papéis, burocratização, quantificação e rigidez das regras. (Bracht, 1997); c) O que explica: a sua utilidade ao capitalismo, com a imediata introdução no sistema educacional inglês por Thomas Arnold (1830), e sua rápida propagação pelo mundo na segunda metade do século 19 e início do século 20. Segunda Hipótese – A gênese do desporto e o Processo Civilizador: A sociedade vitoriana. A) “É preciso ancorar o jogo em uma determinada realidade social” . Hilário Franco Jr. 1. O movimento do desporto no século 19 e 20 é outra renaissance , um inexplicável “renascer” de alguma que existiu na Antiguidade, pereceu na Idade Média e, por razões desconhecidas, renasceu, simplesmente, no nosso tempo? a) A origem dos desportos modernos não está na Grécia Antiga. b) Os concursos de jogos da Antiguidade Clássica, que são apresentados como paradigmas do desporto, possuíram numerosas características importantes e progrediram sob condições que eram muito diferentes das que distinguem os nossos próprios concursos de jogos. c) O ethos dos concorrentes, as regras das provas e os próprios desempenhos diferem nitidamente dos que são característicos do desporto moderno. 2. É preciso analisar as condições específicas que contribuíram para a gênese e ascensão dos desportos de nosso tempo, a) enfrentar o fato que eles, tal como os Estados-nações industriais onde surgiram, possuem certas características únicas que os distinguem dos outros tipos, b) explicar a natureza destas características distintivas. B) A Violência é uma das características que distinguem a sociedade-Estado do Estado-nação Industrial - O nível de violência física na Antiguidade não era isolado, era sintomático da organziação da sociedade grega, seu grau de monopolização da violência física era reduzido. - No estado-nação industrial o monopólio da violência física é um de seus traços centrais, nele o nível de segurança física é bem superior ao da sociedade-estado. - O padrão de violência é diferente, em relação a sociedade-estado desfrutamos a sensação de sermos superiores, chamando sua conduta de não civilizada ou bárbara, expressando nosso sentimento de superioridade moral. A ERA VITORIANA Período de Progresso na direção da hegemonia britânica: Período de Progresso na direção da hegemonia britânica: - Longo Reinado da Rainha Vitória e consolidação da Revolução Industrial. Londres a cidade dual: vícios e virtudes dão as mãos: - Megalópole que atrai revolucionários, progressistas, intelectuais, artisitas. - Cidade da riqueza que convive com a miséria. Os Valores Vitorianos: Puritanos e Hipocrisia: - dedicação ao trabalho, moralidade e cuidado com a fé. |