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Material composto por : 1 .Resenha de DUVIGNAUD, Jean. El Território Del Juego. Mexico, Fondo de cultura Económica, 1982, (texto abaixo em verde)
2 . Palestra do Prof Hilário Franco Jr, a respeito da evolução de regras, estratégias e táticas . (texto abaixo em azul) RESENHA: O território do jogo é uma espécie de terreno baldio das especulações lúdicas e inutilidades, onde as palavras e o convívio margeiam aspectos do trabalho, da política e da religião. Tanto jovens e velhos jogam, e discutem interminavelmente sobre os sucessos e as emoções, seja no trabalho, na fábrica, na oficina, em todos os lugares. Seria o jogo um algo de divulgação da pessoa? Ou isso seria uma amostra que a própria existência seria um jogo? O campo lúdico é vasto e assustador ao mesmo tempo, devido a pouca importância que lhe é dado. Assim, alguns questionamentos: existe um homem utópico dentro de um homem real? Existe um lugar que o homem se disponibiliza livre de si mesmo? Duvignaud concorda com Huizinga sobre o aspecto de que o jogo tem origem na cultura, mas, dentro da sua visão de homem-livre, discorda dele, pois Huizinga afirma sobre as regras que limitam o homem. Ele ainda debate a visão de Caillois, de que as regras respondem a uma organização lógica e universal. Karl Groos e Jean Château discorrem sobre o jogo como livre espontaneidade e expansão de uma atividade, onde se percebe que o ludismo reflete as forças e virtudes que permitem expressar as pessoas em sociedade, onde o jogo ajuda as crianças na formação da personalidade. Abordando Mauss e Dumezil, acredita-se que no jogo buscamos o nada . Mas que buscamos quando buscamos o nada? Uma sucessão de movimentos e emoções cujo objetivo é jogar. É uma manifestação de representações coletivas, resgates culturais/sociais sem regeneração do presente. Nisto, busca-se o êxtase. Para Lukács: o jogo forma o núcleo de toda a criação e de todo o imaginário, mas que não representa nenhum conceito e não é o resultado de nenhum sentimento/finalidade. É a finalidade sem fim. A atração para o jogador de Cassino, é a probabilidade de que “tudo acontece”, o acaso, sem razão, num campo sem nexo e sem coerência, num terreno longe da psicologia mas dentro da metafísica. Há, por fim, também interessante observação sobre o transgredir, o fascínio em simular e representar, ultrapassando os limites das regras da realidade/ou do que se acredita ser realidade.
PALESTRA
Regras/Normas são instituídas por resultados de fatos que demonstram uma necessidade da lei, mesmo quando os legisladores tentam se antecipar. É, de fato, depois do evento novo que vem a normatização. Regras na Inglaterra: diferente do Direito Romano, e influenciada por nórdicos, as case law (estudo de caso) são basicamente trabalhados pela jurisprudência. Até a década de 1960, pouca normatização. Existe o princípio de que “o precedente vale mais do que o novo”. As regras do futebol, basicamente, surgem neste mesmo espírito diferenciando-se na questão de coloca-las no papel. É uma forma de normatização pelo costume (perceba-se que as regras muito pouco mudam).
DIFERENCIAÇÃO DE ESTRATÉGIA E TÁTICA NO FUTEBOL
Estratégia e Tática são elementos do vocabulário militar, e consideremos a disputa do jogo de futebol comometáfora da guerra. ESTRATÉGIA – Mobilização, Planejamento e Criação dos recursos totais que um grupo tem para um determinado fim (grupo-país para uma guerra, equipe para uma partida). Os recursos são materiais, financeiros, morais, espirituais, equipamentos, conhecimentos, etc.. TÁTICA – é o caminho, é a ação imediata que o grupo empreende para conquistar o objetivo. A tática seria a parte mais visível da estratégia. EXEMPLIFICAÇÃO: Wanderley Luxemburgo se caracteriza na década de 1990 como melhor estrategista do que bom tático, pois se beneficia melhor dos recursos oferecidos do que a tática implantada, embora seja bóia. Exemplo recente: Campeonato Brasileiro de 2003 com pontos corridos, onde é montada uma estratégia de grande número de atletas no Cruzeiro, bons salários e uma planificação sobre possíveis perdas de pontos. Sua tática implantada na equipe, diante dessa estratégia, faz com que o time tenha sucesso.
EVOLUÇÃO E NORMATIZAÇÃO
A normatização das regras do futebol se dá em um momento de normatização geral da sociedade (da língua, das leis, etc.). Em 1863, coma definição das 14 regras de Cambridge, joga-se no esquema 1-10 (o 1 não é o goleiro, é o back, hoje chamado de beque no Brasil), onde os outros 10 eram atacantes. Este esquema se baseava na “ação direta” das táticas militares inglesas. Em 1864, o jornal londrino “The Field” afirmava que o futebol preparava os futuros governantes do império britânico (Lembremo-nos de que o futebol era jogado por elite, e fortalecido por valores morais, força e demais virtudes, chamado até mesmo de “cristianismo atlético”). Em 1867, surge o off-side, traduzido pelos brasileiros como “impedimento” (regra 11). Em 1868, surge a figura do árbitro para administrar o jogo, e principalmente o off-side. Antes, os capitães concordavam ou não com as marcações deles próprios. Não há fair-play britânico que se sustente. O árbitro se tornou um elemento consultivo dos capitães das equipes, e ele se localizaria nas linhas laterais, onde se encontram os árbitros assistentes, pois a preocupação maior era de fato o off-side. Começam a surgir os estádios, e curiosamente, enquanto que no Brasil os operários ferroviários montavam equipes, na Inglaterra os estádios surgiam como paradas finais de linhas de trem. Em 1871, surge o goleiro. Lembremo-nos que provavelmente, devido a criação da Confederação de Rúgbi, necessitava-se de um elemento que utilizasse as mãos para afrontá-lo. O goleiro que surgia poderia carregar a bola por todo o campo, o tempo que desejasse. Posteriormente sua atuação vai sendo limitada. Em 1872, acontece a primeira partida entre seleções: Inglaterra X Escócia, jogado num esquema 1-9 X 2-2-6. Perceba que o goleiro já não faz parte da nomenclatura dos esquemas táticos. Neste período histórico, 1/5 do território mundial pertencia a Inglaterra, e sua população era de 23% do total mundial (não nos esqueçamos de que a Índia, ocupada pelos ingleses, possuia 300 milhões de habitantes). ESCÓCIA – estilo passing game (troca de passes, futebol solidário, jogo em conjunto, equipe de operários). INGLATERRA – estilo dribling game (dribles, individualismo, sentimento burguês e de superioridade estampados em campo).. Curiosidade – a partida acabou em 0x0, devido aos inúmeros off-sides, fazendo que se pensasse mais tard em um esquema mais cadenciado, como o 2-3-5. 1883- criação da International Board. 1913- Southampton, primeiro time inglês profissional jogava fora da ilha. Neste período, apesar das mesmas táticas adotadas (2-3-5), a Inglaterra era a melhor equipe do mundo, pela sua estratégia (mais praticantes, potência econômica da época, melhores e maiores recursos).
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